Monteiro Lobato

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Curioso de nascença, desde pequeno Monteiro Lobato procurava aprender o máximo sobre as coisas, visíveis ou imaginárias, e não era só nos livros que buscava respostas, gostava de saber como as pessoas pensavam, observava a natureza e descobria seus mistérios.

Com tanto conhecimento acumulado, é claro que ele adorava dar palpites sobre todos os assuntos, tentava mudar o que achava errado, melhorar o que já estava bom, e criava frases. Frases que davam a medida exata do tamanho do seu pensar e que estimulavam o leitor a continuar sonhando.

Como pode-se ver por estas, aqui selecionadas.

"O meio de combater uma ideia é lançar ao seu encontro uma ideia melhor. (...) Nunca no mundo uma bala matou uma ideia." (Prefácio a Georgismo e comunismo, 1948)

"Seja você mesmo, porque ou somos nós mesmos, ou não somos ninguém."(Monteiro Lobato)

"A coisa que menos me mete medo é o futuro." (Carta a Godofredo Rangel, Rio de Janeiro, 8/11/1925)

"Escrever é gravar reações psíquicas. O escritor funciona qual antena - e disso vem o valor da literatura. Por meio dela, fixam-se aspectos da alma dum povo, ou pelo menos instantes da vida desse povo." (Na Antevéspera, prefácio à 1ª edição, 1933)

"Assim como é de cedo que se torce o pepino, também é trabalhando a criança que se consegue boa safra de adultos." (Carta a Vicente Guimarães, Campos do Jordão, 12/1/1936)

"A mulher não é inferior nem superior ao homem. É diferente. No dia em que compreendemos isso a fundo, muitos mal-entendidos desaparecerão da face da terra." (Prefácio ao livro No carinho da luz, de Josefina Sarmento Barbosa, 1921)

"Porque para o homem o clima
(O Minotauro, 1939)

"A natureza criou o tapete sem fim que recobre a superfície da terra. Dentro da pelagem desse tapete vivem todos os animais, respeitosamente. Nenhum o estraga, nenhum o rói, exceto o homem." (Miscelânea, 1946)

"Porque para o homem o clima
(O Minotauro, 1939)

"O verdadeiro amigo de um pintor não é aquele que o entontece de louvores; mas sim o que lhe dá uma opinião sincera, embora dura, e lhe traduz chãmente, sem reservas, o que todos pensam dele por detrás." (Ideias de Jeca Tatu, 1919)

"Acho a criatura humana muito mais interessante no período infantil do que depois de idiotamente tornar-se adulta." (Entrevista a Celestino Silveira, anos 40)

"O certo em literatura é escrever com o mínimo possível de literatura. (...) a mim me salvaram as crianças. De tanto escrever para elas, simplifiquei-me." (Carta a Godofredo Rangel, São Paulo, 1/2/1943)

"Depois que me vi condenado a seis meses de prisão, e posto numa cadeia de assassinos e ladrões só porque teimei demais em dar petróleo à minha terra, morri um bom pedaço na alma." (Carta a Godofredo Rangel, São Paulo, 17/9/1941)

"A primeira vítima da televisão vai ser a velha e boa Saudade, que no fundo é filha da Lentidão e da Falta de Transportes. A saudade desaparecerá do mundo. Em breve futuro a palavra (Carta a Godofredo Rangel, Nova York, 17/8/1928)

"No fundo não sou literato, sou pintor. Nasci pintor, mas como nunca peguei nos pincéis a sério, arranjei, sem nenhuma premeditação, este derivativo de literatura, e nada mais tenho feito senão pintar com palavras." (Carta a Godofredo Rangel, Areias, 6/7/1909)

"Há dois modos de escrever. Um, é escrever com a ideia de não desagradar ou chocar ninguém (...) Outro modo é dizer desassombradamente o que pensa, dê onde der, haja o que houver - cadeia, forca, exílio." (Carta a João Palma Neto, São Paulo, 24/1/1948)

"No fundo, o que há contra mim é inveja em consequência de minha vitória comercial nas letras. Até o fim do ano, passo dos 2 milhões em minhas tiragens." (Carta a Jaime Adour da Câmara, São Paulo, 10/5/1946)

"Todos os nossos males, econômicos, financeiros e morais, (...) provêm de uma causa única: pobreza, anemia econômica. Vou além: miséria." (Carta a Alarico Silveira, Nova York, 3/5/1928)

"Estou condenado a ser o Andersen desta terra - talvez da América Latina." (Carta a Godofredo Rangel, São Paulo, 28/3/1943)

"Passei nesta prisão, General, dias inolvidáveis, dos quais me lembrarei com a maior saudade. Tive o ensejo de observar que a maioria dos detentos é gente de alma muito mais limpa e nobre do que muita gente de alto bordo que anda à solta." (Carta a Horta Barbosa, presidente do Conselho Nacional do Petróleo, abril de 1941)

"Continuo traduzindo. A tradução é minha pinga. Traduzo como o bêbado bebe: para esquecer, para atordoar. Enquanto traduzo, não penso na sabotagem do petróleo." (Carta a Godofredo Rangel, São Paulo, 15/4/1940)

"As fábulas em português (...) são pequenas moitas de amora do mato, espinhentas e impenetráveis. Um fabulário nosso, com bichos daqui em vez dos exóticos, se feito com arte e talento, dará coisa preciosa." (Carta a Godofredo Rangel, Fazenda, 8/9/1916)

"O que não somos nunca é ovelha - fiel ovelha do Santo Padre, de Sua Majestade o Rei, do Partido, da Convenção Social, dos Códigos da Moral Absoluta, do Batalhão, de tudo que mata a personalidade das criaturas." (Carta a Godofredo Rangel, Fazenda, 7/6/1914)

"A história dos historiadores coroados pelas academias mostra-nos só a sala de visitas dos povos. (...) Mas as memórias são a alcova, as chinelas, o penico, o quarto dos criados, a sala de jantar, a privada, o quintal (...) da humanidade." (Carta a Godofredo Rangel, São Paulo, 9/5/1913)

"Aqui jaz um homem que nunca leu a
(Entrevista ao Jornal de São Paulo, 1946)

"Tentei arrancar de mim o carnegão da literatura. Impossível. Só consegui uma coisa: adiar para depois dos 30 o meu aparecimento. Literatura é cachaça. Vicia." (Carta a Godofredo Rangel, São Paulo, 16/6/1904)

"O que mais aprecio num estilo é a propriedade exata de cada palavra." (Carta a Godofredo Rangel, Areias, 30/8/1909)

"Está provado que tens no sangue e nas tripas um jardim zoológico da pior espécie. É essa bicharia cruel que te faz papudo, feio, molenga, inerte. Tens culpa disso? Claro que não." [sobre Jeca Tatu] (Urupês, prefácio à 4ª edição, 1919)

"O caboclo é o sombrio urupê de pau podre (...) Só ele não fala, não canta, não ri, não ama. Só ele, no meio de tanta vida, não vive." [sobre Jeca Tatu] (Urupês, 1ª edição, 1918)

"Meu plano agora é um só: dar ferro e petróleo ao Brasil." (Carta a Godofredo Rangel, Nova York, 17/8/1927)

"Porque tenho sido tudo, e creio que minha verdadeira vocação é procurar o que valha a pena ser." (Carta a Godofredo Rangel, Nova York, 28/11/1928)

"Um país se faz com homens e livros."
(América, 1932)

"Nada de imitar seja lá quem for. (...) Temos de ser nós mesmos (...) Ser núcleo de cometa, não cauda. Puxar fila, não seguir." (Carta a Godofredo Rangel, São Paulo, 15/11/1904)

"Ele é isso. Corre na frente com o facho, a espantar todos os morcegos e corujas e a semear horizontes." [sobre o filósofo alemão F. Nietzsche] (Carta a Godofredo Rangel, São Paulo, 24/8/1904)

"Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar." (Carta a Godofredo Rangel, Rio de Janeiro, 7/5/1926)

"Tudo é loucura ou sonho no começo. Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira - mas já tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum." (Mundo da Lua, 1923)