Monteiro Lobato

Monteiro Lobato | 1940 – 1944 – Lobato na mira da Ditadura

1940 – 1944 – Lobato na mira da Ditadura

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1940
Contos pesados
Lançamento de "Contos pesados". Traduções: "História do Futuro", "A formação da Mentalidade", "História da Bíblia" e "A Epopéia Americana".
24/05/1940
Interesses do imperialismo da Standard Oil e da Royal Dutch Petroleum
Em nova carta a Getúlio Vargas, em plena ditadura do Estado Novo, Lobato reitera suas denúncias e acusa o Conselho Nacional do Petróleo de agir a favor dos "interesses do imperialismo da Standard Oil e da Royal Dutch Petroleum", perpetuando "a nossa situação de colônia americana dos trustes internacionais". Na mesma ocasião, e nos mesmos termos, envia carta ao general Góis Monteiro, chefe do Estado-Maior do Exército, em que reitera a “displicência do sr. Presidente da República, em face da questão do petróleo no Brasil, permitindo que o Conselho Nacional do Petróleo retarde a criação da grande indústria petroleira em nosso país, para servir, única e exclusivamente, os interesses do truste Standard-Royal Dutch”.
22/08/1940
Injuriar os poderes públicos
O general Júlio Caetano Horta Barbosa, presidente do Conselho Nacional do Petróleo, escreve em defesa do governo e acusando o escritor de crime contra a segurança do Estado e a ordem social por injuriar os poderes públicos ou os agentes que os exercem, por meio de palavras, inscrições ou gravuras na imprensa, crime este que preve a pena de seis meses a dois anos de prisão de acordo com o artigo 3º, nº 25 do Decreto-Lei nº 431, de 18-3-38.
30/12/1940
Ditador Total
A rádio BBC, de Londres, irradia em diversos idiomas artigo-entrevista em que Lobato faz uma retrospectiva do regime republicano no Brasil, "caracterizado pela progressiva restrição das liberdades civis e da garantia de direitos". Afirmando a admiração dos brasileiros pelos ingleses – justamente na época em que Vargas flertava com a Alemanha e o nazifascismo–, o escritor investe contra a tirania e a figura de um "Ditador Total", numa clara alusão a Getúlio e ao Estado Novo.
1941
Lançamento de "A reforma da natureza" e "O espanto das gentes"
Lançamento de "A reforma da natureza" e "O espanto das gentes". Traduções: "Lágrimas de homem", "O livro da Jangal", "Por quem os sinos Dobram" e "Educação e Vida Perfeita”.
1941
Cartas
São ouvidas diversas testemunhas inclusive o próprio Monteiro Lobato que reitera sua opinião e confirma ter escrito as suas cartas.
1941
Lobato confirma que essa era a sua convicção
Perguntado se estava convencido “de que o Conselho não passava dum ingênuo instrumento do imperialismo da Standard”, Lobato confirma que essa era a sua convicção.
01/1941
Companhia Siderúrgica Nacional
O governo funda a Companhia Siderúrgica Nacional e inicia a construção da Usina de Volta Redonda.
06/01/1941
Injurioso ataque ao Chefe da Nação, ao Departamento Nacional da Produção Mineral
Com base em ofício enviado pelo general Horta Barbosa, presidente do Conselho Nacional de Petróleo, alegando "injurioso ataque ao Chefe da Nação, ao Departamento Nacional da Produção Mineral” o Tribunal de Segurança Nacional solicita ao Chefe de Polícia de São Paulo a abertura de inquérito policial contra Monteiro Lobato por crime de lesa-pátria.
27/01 a 28/07/1941
O escritor é levado à DEOPS
Equipe da Delegacia Especializada de Ordem Política e Social (DEOPS), acompanhada de um representante do Ministério da Guerra junto ao Conselho Nacional de Petróleo, invade a residência do escritor de madrugada, levando-o preso. Em seguida, o escritório de Monteiro Lobato é vasculhado e documentos apreendidos. O escritor é levado à DEOPS, qualificado e transferido para a Casa de Detenção (Presídio Tiradentes), onde permanece incomunicável durante quatro dias causando grande ansiedade para sua família.
30/01/1941
Lobato é interrogado
Lobato é interrogado e assume inteira responsabilidade sobre as cartas enviadas a Vargas e Góis Monteiro.
28/02/1941
6 meses a 2 anos de prisão
O Tribunal de Segurança Nacional conclui a classificação de delito e a denúncia de Lobato, enquadrando-o no artigo 3o, inciso 25 do Decreto-lei 431/1938 – conhecido como Lei de Segurança Nacional – , que punia com penas de 6 meses a 2 anos de prisão quem injuriasse "os poderes públicos, ou os agentes que o exercem, por meio de palavras (...)".
08/04/1941
Julgamento
No primeiro julgamento, o juiz Augusto Maynard Gomes absolve Lobato e, como era praxe, recorre à instância superior. O escritor permanece preso. Assim que toma conhecimento do resultado, Lobato escreve ao general Horta Barbosa e agradece: "Passei nesta prisão, General, dias inolvidáveis, dos quais me lembrarei com a maior saudade. Tive o ensejo de observar que a maioria dos detentos é gente de alma muito mais limpa e nobre do que muita gente de alto bordo que anda à solta".
19/04/1941
Monteiro Lobato envia, da cadeia, carta
No dia do aniversário de Vargas, Monteiro Lobato lhe envia, da cadeia, carta em que, ironicamente, sugere a criação de uma Companhia Nacional de Petróleo nos moldes da recém fundada Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda. E, referindo-se ao CNP, aponta os benefícios da medida: "O general-comandante desse Conselho e os mais membros que o compõem, caso empregados como combustível nas fornalhas das sondas, darão para mover as máquinas por uns dois ou três dias – vantagem que positivamente não é de se desprezar”.
20/05/1941
Novo julgamento
O novo julgamento do Tribunal de Segurança Nacional reforma a primeira sentença e, por unanimidade, condena Lobato a seis meses de prisão.
17/06/1941
O escritor ganha a liberdade
Após passar três meses na cadeia, Monteiro Lobato é indultado por Getúlio Vargas devido a problemas de saúde e devido a pressão da opinião pública. O escritor ganha a liberdade, mas a imprensa, sob censura, é proibida de noticiar o fato.
28/06/1941
Chefe de Polícia de São Paulo mandando apreender e destruir os exemplares de "Peter Pan"
Baseado em parecer do procurador Kruel de Morais - para quem os livros do criador do Sítio do Picapau Amarelo predispunham a "doutrinas perigosas e práticas deformadoras do caráter" - , o Tribunal de Segurança Nacional encaminha ofício ao Chefe de Polícia de São Paulo mandando apreender e destruir os exemplares de "Peter Pan", do escritor J. M. Barrie, adaptados por Lobato.
08/1941
Getúlio Vargas é eleito para a Academia Brasileira de Letras
Getúlio Vargas é eleito para a Academia Brasileira de Letras.
07/12/1941
Pearl Harbour
O Japão bombardeia a base norte-americana de Pearl Harbour. Os Estados Unidos entram na 2ª Guerra Mundial.
1942
Lançamentos
Lançamento de "A chave do tamanho". Traduções: "Adeus às Armas", “Lincoln", "Somente nesse Dia", "Máquinas da Democracia", "História da Civilização" e "Uma folha na Tempestade".
28/01/1942
Declarado estado de guerra
Em resposta ao afundamento de navios brasileiros pelos alemães, o governo anuncia o rompimento das relações com a Alemanha e Itália. Em 31/8 é declarado estado de guerra em todo o território nacional.
1943
Traduções
Traduções: “Memórias" (André Maurois), "Piloto de Guerra", "Noite sem Lua", "A construção do Mundo", "Um mundo Só", "Mágica em Garrafas”.
13/02/1943
Morre Edgard
Morre em Tremembé, município paulista vizinho a Taubaté, seu filho mais velho, Edgard, vitima de tuberculose.
05/1943
Sítio do Picapau Amarelo
Criado por Edgard Cavalheiro e Carlos Lacerda, vai ao ar, pela Rádio Gazeta em São Paulo, o programa No Sítio do Picapau Amarelo.
1944
A barca de Gleyre
Lançamento de "A barca de Gleyre", última obra de Lobato na Companhia Editora Nacional. Traduções: "A queda de Paris" e "O Nazareno". Escreve, sob encomenda do Café Jardim, "Um sonho na Caverna", álbum de figurinhas ilustrado por J. U. Campos. A Editora Brasiliense publica "Os doze trabalhos de Hércules".
1944
Peron chega ao poder na Argentina
Peron chega ao poder na Argentina.
02/01/1944
Lobato rompe com a União Cultural Brasil-Estados Unidos
Por achar incoerente a política norte-americana de apoio à ditadura Vargas, enquanto combatia na Europa o nazifascismo, Lobato rompe com a União Cultural Brasil-Estados Unidos.
10/1944
Lobato recusa sua indicação para a Academia Brasileira de Letras
Lobato recusa sua indicação para a Academia Brasileira de Letras, proposta por Cassiano Ricardo e Menotti del Picchia. "Só serei 'imortal' se puserem esse grande gênio fora de lá a pontapés", diria, referindo-se ao fato de Getúlio Vargas pertencer à Academia Brasileira de Letras.