Monteiro Lobato

Monteiro Lobato | 1911 – 1917 – LOBATO FAZENDEIRO E JORNALISTA

1911 – 1917 – LOBATO FAZENDEIRO E JORNALISTA

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27/03/1911
Morre o Visconde de Tremembé

Morre o Visconde de Tremembé, seu avô. Lobato e as irmãs tornam-se herdeiros de terras na região de Taubaté que, somadas às extensões deixadas pelo pai, ultrapassariam dois mil alqueires (cerca de 5 mil hectares). Localizada na Serra da Mantiqueira, já estava com as terras esgotadas pela lavoura do café. Assim mesmo, ele tentou transformá-la num negócio rendoso, investindo em projetos agrícolas audaciosos. Vai morar com a família na Fazenda do Buquira onde toma conhecimento da pratica das queimadas e do estado de miséria e doença do trabalhador rural.

26/05/1912
Guilherme Monteiro Lobato
Nasce em Taubaté seu terceiro filho, Guilherme.
19/09/1912
Vida de roça

"A maior delícia da minha vida de roça é justamente lidar com pintos, com perus, com bois e cavalos, e do bípede humano só me meter com esta insuficiência mitral que é o caboclo da roça. Mesmo assim, só lido com eles através do "administrador", a ponte de ligação. E o caboclo ainda é a melhor coisa da nossa terra, porque analfabeto, simples, muito mais próximo do avô Pitecantropo do que os que usam dragonas ou cartola, e se dão ao luxo de ter idéias na cabeça, em vez de honestíssimos piolhos". M.L.

03/1913
Viaduto do Chá
Monteiro Lobato e Ricardo Gonçalves apresentam à Câmara Municipal de São Paulo proposta para a construção – no lugar do Viaduto do Chá - de uma passagem coberta com dois pavimentos, abrigando lojas e áreas de convivência, e mirantes para o Vale do Anhangabaú, cortada por linhas de bondes elétrico.
28/07/1914
Primeira Guerra Mundial
O Império Austro-húngaro declara guerra à Sérvia: começa a Primeira Guerra Mundial.
12/11/1914
Urupês
Em 1914 acontece um fato que definiria de vez a sua carreira literária: durante o inverno seco daquele ano, cansado de enfrentar as constantes queimadas praticadas pelos caboclos, o fazendeiro escreveu uma carta indignada intitulada Uma Velha Praga, e a enviou para a seção Queixas e Reclamações do jornal O Estado de S. Paulo. O jornal, percebendo o valor daquela carta, publicou-a fora da seção que era destinada aos leitores, no que acertou, pois a carta provocou polêmica. Um mês depois redigiu "Urupes" que foi publicada no mesmo jornal. E assim nascia um de seus mais famosos personagens, o Jeca Tatu.
12/02/1915
Discussão sobre artigo Urupês
"(...) no Estado houve uma séria discussão sobre aquele artigo "Urupês", na qual poucos concordaram comigo totalmente, mas todos foram unânimes em que sou 'novo de forma' e uma 'revelação'. (...) Escrevendo no Estado, consigo um corpo de 80 mil leitores, dada a circulação de 40 mil do jornal e atribuindo a média de 2 leitores para cada exemplar. Ora, se me introduzir num jornal do Rio de tiragem equivalente, já consigo dobrar o meu eleitorado. Ser lido por 200 mil pessoas é ir gravando o nome - e isso ajuda. (...) Para quem pretende vir com livro, a exposição periódica do nomezinho equivale aos bons anúncios das casas de comércio." M.L.
28/02/1916
Ruth Monteiro Lobato
Nasce sua filha caçula, Ruth Monteiro Lobato.
1917
Revolução Rússa
Revolução Rússa.
1917
Vende a Fazenda do Buquira
Vende a Fazenda do Buquira herdade do seu avô, o Visconde de Tremembé - "Vendi a fazenda a um senhor Alfredo Leite, de Vila Paraguassú (...). Saio daqui para Caçapava, provisoriamente, e de lá tomarei rumo definitivo." M.L.
06/01/1917
A criação do estilo
O Estado de S. Paulo publica o artigo "A criação do estilo", mais tarde compilado no livro Idéias de Jeca Tatu, em que Lobato sugere que se incorporem elementos do folclore brasileiro nos cursos de arte, especialmente nos do Liceu de Artes e Ofícios.
26/01/1917
Mitologia brasílica
Sob o título "Mitologia brasílica", em o Estadinho, edição vespertina de O Estado de S. Paulo, dá início a uma pesquisa pioneira de opinião pública sobre o saci. Reunindo as respostas de leitores e textos de sua autoria, Lobato organiza O Saci-Pererê: resultado de um inquérito, seu livro de estréia, lançado no início de 1918.
09/1917
Revista Parahyba
Surge em Caçapava a revista Parahyba, em que Lobato colabora com textos e ilustrações. A partir do número três, desenha também sua capa.
07/04/1908
Brasileira de Imprensa
É fundada no Rio de Janeiro a Associação Brasileira de Imprensa.
09/1917
Revista Parahyba
Surge em Caçapava a revista Parahyba, em que Lobato colabora com textos e ilustrações. A partir do número três, desenha também sua capa.
11/10/1917
Mudo-me para S. Paulo
"Mudo-me para S. Paulo na próxima semana. Fico na rua Formosa 53 até tomar casa." M.L.
18/10/1917
Exposição Saci
Com comissão julgadora composta por Amadeu Amaral, J. Washington Rodrigues e Monteiro Lobato, é aberta a exposição de artes plásticas sobre o Saci promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo.
17/11/1917
O Brasil declara guerra aos alemães.
O Brasil declara guerra aos alemães.
20/12/1917
À propósito da exposição Malfatti
Monteiro Lobato publica no Estadinho o artigo "À propósito da exposição Malfatti", uma crítica à mostra de pintura moderna de Anita Malfatti, inaugurada uma semana antes. Mais tarde publica também o artigo "Paranóia ou mistificação?" No texto, Lobato elogia o talento e a habilidade da pintora, mas critica arduamente o fato de ela ter aderido ao que ele denominou "ramos da arte caricatural". Lobato escreve: "Há duas espécies de artista. Uma composta dos que vêem as coisas veem consequência fazem arte pura, guardados os esternos ritmos da vida, e adotados, para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres. (...). A outra espécie é formada dos que veem anormalmente a natureza e a interpretam à luz das teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica das escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. (...) Estas considerações são povoadas pela exposição da Sra. Malfatti, onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso e cia. [O Diário de São Paulo, dez/1917] Estopim de sua polêmica com os modernistas, o artigo suscitaria a solidariedade de amigos de Anita – sobretudo Menotti del Picchia e Mario de Andrade – que passaram a culpar Lobato por uma suposta regressão estética da pintora, ao mesmo tempo que desqualificavam-no como crítico e renegavam suas idéias sobre arte e cultura."